Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011
3 medidas que previ aqui
1. IRS seria o primeiro imposto a subir - tinhamos de ficar mais pobres
2. as medidas da troika contemplavam já uma descida nos salários
3. antecipação dos fundos estrturais (aqui previ que isso aconteceria, mas com maior extensão e flexibilidade do que leio agora nos jornais)
Próxima aposta:
1. nos próximos dois anos, haverá um politico portugues que irá propor que saiámos do euro.
Com esta politica europeia teremos sempre um prémio sobre a taxa de juro, dificuldade em acesso ao mercado, e nenhum benefício relevante. Mais vale sair....
O que espero que o OE diga
1. Que os fundos de estabilização (tributária, segurança social, etc) só possam comprar dívida soberana portuguesa. O défice extraordinário que temos não permite que se opte por uma política de minimização de risco.Se o problema é de financiamento não podemos dar ao luxo de ter financiar dívida de outros países.
2. Que haja gestão de tesouraria consolidada das empresas públicas
3. Que todos os organismos públicos com menos de 70% de receita próprias percam autonomia financeira e administrativa (o que dizem os jornais, na sua versão preliminar do OE, é que vão perder quem não tem as contas equilibradas e par dos 50% das receitas próprias já exigidas
(continua)
Qual esforço extra? "Troika reduz salários dos funcionários públicos"
Lamento dizer, mas o FMI já tinha dito que isto ia acontecer.
odeio ter tido razão.
Ver:
http://www.imf.org/external/np/sec/pr/2011/pr11190.htm
http://gonnacrash.blogspot.com/2011_05_01_archive.html
“The substantial financial support will help minimize the social costs of the adjustment. The program also includes a strong social safety net, by exempting lower categories of public wages and pensions from reduction, and by ensuring protection to the most vulnerable. "
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
Ninguém sabe verdadeiramente o impacto da desvalorização fiscal.
Ninguém sabe verdadeiramente o impacto da desvalorização fiscal. Os modelos estatísticos usados para avaliar o impacto desta medida, baseiam-se na ideia de que o futuro se irá comportar como no passado. Mas com alterações desta magnitude é impossível prever o resultado final na competitividade do país. Estamos a falar de uma redução da Taxa Social Única de 8 a 10 pontos do PIB; que corresponde, grosso modo, a 50% do IVA ou a 80% do IRS.
Num modelo estatístico, assume-se por inerência que o modelo económico vai ser o mesmo no futuro como o será no passado. Mas neste caso concreto, sabemos que jamais o será, pois a desvalorização fiscal representa uma quebra de estrutura de todo o nosso modelo fiscal.
Quando se sabe que o futuro não será igual ao passado a solução é usar a história e casos semelhantes. E o que esta nos diz é que se os salários diminuírem, aumenta-se a capacidade de investimento e de contratação das empresas. Mas diminui-se também o mercado por contracção da procura interna - as famílias deixam de poder consumir tanto. E nesse sentido, qual será o empresário que quererá investir?
Estaremos no caso do congelamento das rendas nas grandes cidades. Num primeiro momento as rendas foram congeladas, o que com uma inflação galopante após a revolução e no início da década de 80, os custos de produção (rendas) baixaram consideravelmente. Mas ao mesmo tempo, a procura diminuiu nas “baixas” das cidades. Os empresários compensaram a redução da procura, com a redução dos custos de arrendamento. E o resultado está à vista: o comércio de rua deixou de existir - estiolou.
Contudo, apesar de achar que esta ideia é difícil de quantificar, não significa que não seja uma boa ideia. Significa apenas que tem muito mais risco, pois a estatística e a história não ajudam.
Além de se ter de por rapidamente as finanças públicas em ordem, é necessário por o país a crescer. A redução dos custos do trabalho, via redução TSU ou de forma qualquer, é uma boa ferramenta de competitividade, para um país que tem um câmbio fixo com os seus parceiros – o euro. Se se conseguir garantir alguma neutralidade nas finanças públicas na redução dos custos do trabalho, essa solução deve ser prosseguida. Essa solução, que terá de ser muito imaginativa, e não conseguirá resolver os nossos problemas.
Das soluções imaginativas eu gosto do IVA com deduções salariais….
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011
Erros e soluções no imobiliário
As times goes by, the fundamental things still apply
As novas "regras" do mercado imobiliário dificilmente conseguirão alcançar aquilo que pretendem: mobilidade geográfica das famílias, e menor exposição ao risco financeiro por parte de famílias, proprietários e bancos. E a razão é simples: o mercado imobiliário português foi dominado, nas últimas décadas, por uma procura de habitação própria, financiado a crédito e incentivada pelo Estado. O custo desta política irreflectida poderá perdurar por uma geração, se nada for feito.
A ideia chave a reter para aqui termos chegado, é que os principais riscos para a estabilidade financeira está relacionado com a possibilidade de os agentes económicos não terem avaliado correctamente os riscos que estavam a incorrer.
Assim, as famílias adquiriram uma habitação com empréstimos a taxa variável de longa (20 anos) ou muito longa duração (40 ou mesmo 50 anos). Fizeram-no com base de que essa habitação se iria valorizar, e por que o esforço mensal era comportável - os juros estavam excessivamente baixos para uma correcta percepção de risco.
O que não foi compreendido pelas famílias foi que a população não estava a crescer, que a economia apresentava um crescimento anémico há quase duas décadas e não compreenderam também que o crescimento urbano nas periferias não era sustentável... Ou seja, os fundamentos de mercado não apontavam para qualquer valorização das habitações.
Mais, a taxa variável, anormalmente baixa, representava um risco muito acrescido para as famílias em caso de um endurecimento das políticas monetárias.
O sector bancário poderia ter assumido este risco associado à taxa de juro - promovendo o crédito à habitação com taxa fixa. Afinal, a função dos bancos é assumir risco e estes deverão conseguir fazê-lo muito melhor famílias mas, por razões várias, não o fizeram.
Para complicar, o Estado aumentou a disponibilidade a pagar das famílias agraciando-as com juros bonificados e com o alargamento do prazo de pagamentos - que num curto espaço de tempo até puderam fazer sentido. Porém, uma das lições mais duras que a economia nos ensina é que os subsídios e apoios não incidem sobre os (supostos) beneficiários. Mas beneficiam quem têm uma disponibilidade mais rígida. Aumentando a disponibilidade a pagar, mitigando o esforço das famílias, os preços das habitações não puderam deixar de subir, beneficiando os promotores imobiliários e aumentando o volume de crédito concedido pelos bancos.
Mais grave, com estas medidas de (suposto) benefício das famílias, aumentou-se o seu esforço financeiro dificultando uma célere do problema.
Soluções
A flexibilização das leis de arrendamento ajudará as novas famílias a encontrar um espaço para viverem. Mas o grosso da população portuguesa continuará a ter o mesmo problema de base pois vive em “habitação própria e permanente”.
Para resolver problemas de crédito, a solução normalmente passa pela consolidação de dívidas e dilatação dos prazos de pagamentos. Contudo, os novos contratos foram feitos a 40 anos... não é possível aumentar o prazo nestes casos. Mas o mais extraordinário, é que continua a não haver limite formal para os créditos à habitação. Este limite, mesmo que não seja activo pois o mercado de crédito está quase parado, devia ser rapidamente reposto.
As poucas famílias que ainda conseguem obter crédito à habitação continuam a poder fazê-lo a uma taxa variável. Contudo, os bancos ainda não têm um sistema regulamentar que garanta uma eficaz cobertura de risco de longo prazo.
Outras famílias têm o crédito bonificado, pelo que o Estado ajudou estas famílias a endividarem-se e não tem capacidade de as acudir, num momento de maior aflição. Pior, não tendo dinheiro, o Estado poderá reduzir este apoio.
Além de corrigir estas condições anacrónicas que poderão garantir uma menor exposição ao risco; só haverá uma possibilidade de garantir uma mobilidade se se incentivar a permuta. Para as famílias que procurem apenas um “tecto”, a troca de casa poderá ser uma possibilidade. Mesmo que percam dinheiro, as famílias conseguiram o que pretendem. Os bancos terão de receber uma pequena compensação pela alteração dos perfis de risco, mas nunca poderão recuperar a totalidade do valor investido.
Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011
sem palavras
tudo pq ant. costa tinha dito que não conhecia mto bem antonio jose seguro.
Reparem na msg, “eu não conheço os bastidores da comunicação social”… mas sabe como dar graxa em directo
Domingo, 11 de Setembro de 2011
Análise dos deflatores das contas nacionais
Com algumas contas dos dados das contas nacionais do INE, chega-se às seguintes conclusões:
1. P. Importações a crescer a 10%
2. P. da prc. interna moderado a 2%
=>importações mto caras... culpa do dólar????! Não faz sentido este está mais barato. Não sei o que se passa.
Mas, aparentemente, importadores a esmagarem-se.
3.P. das exportações a 5 a 6% (culpa do dolar)
4.P. prod interna a 3%/4%
=> Parte será explicado pelo custo das matérias primas (mas dolar barato???), mas verdade é que estamos a gnahra margens
Gostava de saber aonde!
5. preços da construção volta a subir a 3%. Como é que e possível?
6. O nosso endividamento externo continua nos ~10%.
Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011
se todos entrarem em austeridade…
….estamos condenados.
Mesmo que se considere que a crise é apenas uma forma de ajustamento e que por vezes é necessária, se todos entrarem em austeridade, acaba-se com as exportações, com o investimento privado associado aos gastos públicos, etc.
Goste-se ou não, os gastos públicos são um importante dinamizador da economia
Em qq caso, se acharem que o Estado deve reduzir a sua intervenção, porque há um crowding out, então baixe-se às taxas de juro, financie-se o sector privado. Não vejo nada disso a acontecer na política europeia!
O nosso caso é diferente… temos um dois cavalos, pelo que o nosso output gap, ha existir, nunca corresponderá ao dinamismo que exigimos e nunca pagará o modelo europeu. (Em qualquer caso, se continuarmos com a burrice europeia, até eu defenderei os gastos do Estado suportados pelo BdP/BCE.)
O que interessa reter é que o financiamento à economia e o investimento privado deve florescer. Que venha a invasão dos aliens e outras coisas malucas.
Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011
Para quem servem os transportes públicos?
O melhor exemplo da racionalidade económica.
Ver 23 minutos: (transcrição não literal)
Só assim se explica que a classe média e média-baixa faça a sua travessia no comboio da Fertagus. E as classes mais baixas, em termos de rendimento, vem de automóvel. (…)
A percentagem de quadros superiores que vem no comboio da margem sul é superior a 30%-40%. (…)
É um raciocínio económico... (…) Quanto é que isto custa por mês? É a questão.
Dois passes colectivos sai mais caro do que automóvel (...) Automóvel = gasolina + portagem + estacionamento se for caso disso.
‘O custo de oportunidade das classes mais baixas tem um menor custo de oportunidade/tempo.’ [Ferreira Machado]
(…) Vão reparar que fizeram creches junto à estação; comida confecionada; estacionamento integrado; cafés com alguma categoria.